
Toda vez que me perguntam dos cartunistas que eu mais gosto, eu falo o nome dele sem saber se estou falando certo, afinal, ele não desenhava, ele não era um cartunista, e para alguns, nem roteirista. Ele era um contador de histórias, o melhor, na minha opnião.
Quando eu ainda estava começando a pensar em trabalhar com quadrinhos, eu era um desses nerds aficcionados por super-heróis que se preocupava em desenhar músculos. Certa vez, eu estava numa livraria minúscula e badalada perto de minha casa, quando eu morava em Aracaju, e vi um livro chamado Anti-herói Americano. De primeira, me chamou atenção pelo nome: “Quem é esse rebelde que ousa desafiar o mundo americano perfeito e cheio de super-heróis legais?” – Peguei pra ler uma página, mas quando vi já estava na metade do livro e dentro da vida de um rabugento chamado Pekar.
Pekar me levou pra um mundo mais parecido com o meu, com defeitos, paranóias e sem heróis. Ele me disse que a vida é boa por causa disso, e me mostrou como histórias sobre coisas minúsculas podem causar um estrago enorme em nossa cabeça. Depois de ter lido o livro todo 3 vezes na mesma noite, foi difícil dormir, e foi impossível continuar lendo a Marvel.
Harvey Pekar me chamou pra ser cartunista, vilão e rabugento. Morreu ainda batalhando do lado do mal, reclamando e tentando destruir esses mocinhos bizarros do mundo. Tenho orgulho dele, é o meu vilão preferido. Mas, acho eu, um vilão não chora quando outro morre, portanto, foda-se, e vá pro inferno seu merda.
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belo texto, camarada.
sei da minha irrevelência, mas quem morrer primeiro fará um desse um para o outro, combinado?
abraços.
Lembro que lí pela primeira vez umas partes quando você me mostrou quando fui aí, foi admiração total a primeira vista.
Ah, sem palavras…Pekar plantou e eternizou a irônia “american splendor” em todos nós.
beijãos
[...] This post was mentioned on Twitter by pablocarranza, Beatriz. Beatriz said: olha, @pablocarranza fez o texto mais sincero que lí e que tirou palavras da minha boca sobre H. Pekar: http://tinyurl.com/2anuroe [...]
Que lindo, emocionou.
Aliás, também prefiro vilões, yeah!
Quer dizer, não vilões, mas personagens que tem um pouco de humanidade: são ruins quando precisam ser ruins, e são bons quando precisam ser bons, apenas humanos.
Por isso gosto tanto de Watchmen.
Mas o meu Coringa ainda está no topo!
YEAH!
Hey, porque só está fazendo tirinha preto e branco agora?
É legal, mas colorido fica tão bonitim.
Como eu sou vilão também vou dar a minha condolência: – Curta o inferno seu merda!
belo texto, camarada.
sei da minha irrelevância, mas quem morrer primeiro fará um desse um para o outro, combinado?
abraços.
Combinado! Pablo quando vc morrer vou fazer uma homenagem para vc
Morram seus merdas, tbm sou vilão!!!