
Toda vez que me perguntam dos cartunistas que eu mais gosto, eu falo o nome dele sem saber se estou falando certo, afinal, ele não desenhava, ele não era um cartunista, e para alguns, nem roteirista. Ele era um contador de histórias, o melhor, na minha opnião.
Quando eu ainda estava começando a pensar em trabalhar com quadrinhos, eu era um desses nerds aficcionados por super-heróis que se preocupava em desenhar músculos. Certa vez, eu estava numa livraria minúscula e badalada perto de minha casa, quando eu morava em Aracaju, e vi um livro chamado Anti-herói Americano. De primeira, me chamou atenção pelo nome: “Quem é esse rebelde que ousa desafiar o mundo americano perfeito e cheio de super-heróis legais?” – Peguei pra ler uma página, mas quando vi já estava na metade do livro e dentro da vida de um rabugento chamado Pekar.
Pekar me levou pra um mundo mais parecido com o meu, com defeitos, paranóias e sem heróis. Ele me disse que a vida é boa por causa disso, e me mostrou como histórias sobre coisas minúsculas podem causar um estrago enorme em nossa cabeça. Depois de ter lido o livro todo 3 vezes na mesma noite, foi difícil dormir, e foi impossível continuar lendo a Marvel.
Harvey Pekar me chamou pra ser cartunista, vilão e rabugento. Morreu ainda batalhando do lado do mal, reclamando e tentando destruir esses mocinhos bizarros do mundo. Tenho orgulho dele, é o meu vilão preferido. Mas, acho eu, um vilão não chora quando outro morre, portanto, foda-se, e vá pro inferno seu merda.
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